terça-feira, 29 de maio de 2007

Dia 05, terça-feira: manifestação no IGUATEMI

Prezados leitores,

Dia 05 de junho (terça-feira) é o Dia Mundial do Meio Ambiente. E como o homenageado do dia não anda muito bem das pernas aqui na Ilha, vários grupos ambientalistas da cidade estão se reunindo para fazer uma festinha pro aniversariante.

O local escolhido pro show não poderia ser outro senão um dos maiores símbolos da corrupção e filhadaputagem, nosso gigante e majestoso bloco de concreto assentado no meio do lodo, XOPÍM IGUATEMI.

A festinha começa às 17h, mas se você ainda estiver no trabalho neste horário pode aparecer mais tarde, porque a "balada" vai até altas horas. Trata-se de uma festa à fantasia, onde nós podemos ir vestidos de palhaços e o aniversariante já se encontra neste momento fantasiado de bola de golfe, confeccionada num tecido especial de fezes.

Traga presentes pro aniversariante, como mudas de árvores nativas para plantarmos na beira do riacho (isso, aquele canal de esgoto com jacarés). Obviamente não se esqueça das faixas, apitos, panelas, tacos de golfe, buzinas, bandeiras, máquinas fotográficas e filmadoras (viva o youtube).

O caranguejo, o siri, a coruja, o jacaré, o sagüi e a lontra agradecem. Menos a morsa.

Até lá!

ECO 92 - Severn Suzuki


Sugestão de vídeo para ficar rolando na carceragem da Polícia Federal.

Pode contar

Quer contribuir com notícias para o blog? Envie um email para moedaverde@gmail.com. Contribuições relevantes serão publicadas. Os e-mails não serão respondidos. Denúncias anônimas serão respeitadas, assim como o anonimato e o IP de quem as enviar.

Contribua com esta e-luta em prol da conservação do meio ambiente em Floripa!



Igual temi...

Doce Cacau

Da coluna do Cacau Menezes de hoje, no DC:

Virou blog

A Operação Moeda Verde, da Polícia Federal, desencadeou muitas coisas na Ilha de Santa Catarina. Virou, inclusive, blog - www.moedaverde.blogspot.com. Com o slogan "o blog da denúncia contra o estupro ambiental de Florianópolis", o Moeda Verde intitula-se um blog que tem por objetivo informar a população de Florianópolis sobre as questões ambientais da cidade, incentivando a participação popular na luta por um meio ambiente preservado na Ilha.

Empreendedor colombiano Carlos Amastha, que construiu o Floripa Shopping e teve que abrir o cofre, indignado com o que aconteceu com seu melhor amigo na Ilha, vereador Marcílio Ávila, também lançou um blog, abrindo a boca. E a turma atacada criou um blog só para responder-lhe. E com artilharia pesada.

Floripa, quem diria, sempre muito doce, sempre muito na paz, agora virou praça de guerra. Guerra online. Chama a mãe que o pai tá doido!


Valeu a divulgação, Cacau. Melhor uma guerra online do que quebraceira e bomba de gás lacrimogênio, né? Mais civilizado e eficaz. Chama a mãe que o pai tá doido de black label!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Corruptódromo


T
exto do blog "De Olho na Capital"... Data de 08 de maio, mas merece sua reprodução aqui. Aliás, dêem uma passada no blog deles, uma ótima leitura.


CORRUPTÓDROMO

A prefeitura de Florianópolis anda muito quieta.

Mais especificamente o prefeito. Não há nenhuma pessoa de bom senso na cidade que não saiba que a ação da Polícia Federal, em termos de corrigir os problemas municipais, é muito limitada. Age enquanto algum patrimônio federal esteja sendo ameaçado ou violado, mas existe uma área enorme onde a ação deveria ser dos poderes locais. Ontem um empresário me contava de que modo a corrupção estava espalhada, na prefeitura e nos vários níveis hierárquicos. Para que o leitor não pense que só grandes projetos, envolvendo muito dinheiro, sofrem com os criadores de dificuldade da prefeitura.

Disse ele que o fiscal da prefeitura dá o telefone e o endereço da empresa de onde devem ser comprados os containeres de lixo, antes de liberar o alvará sanitário. A loja, naturalmente, vende bem mais caro que todas as outras que vendem os mesmos produtos. Mas se o otário do contribuinte comprar ali, o alvará sanitário sai imediatamente, assim que o cara da loja liga para o fiscal e confirma a venda.

Outra: para cortar uma árvore, mesmo que não seja nativa, se o idiota do contribuinte pedir autorização na FLORAM, eles pedirão que, em compensação, para dar a autorização, o tolo compre um certo número de mudas de árvores nativas. Só que não podem ser mudas adquiridas em qualquer lugar. Tem que ser mudas de um metro e meio, vendidas em um único viveiro, por dez vezes o preço de uma muda menor, vendida em outro lugar.


VENDE-SE FACILIDADE

Portanto, enquanto o prefeito (ou o ministério público estadual) não acordar para a necessidade de acabar com um disseminado sentimento de impunidade que campeia em muitos órgãos públicos, a operação da Polícia Federal terá um efeito limitado.

As demoras nas liberações, exames que levam uma eternidade, o excessivo rigor com detalhes insignificantes, tudo isso são armas dos corruptos, para forçar o contribuinte a fazer a pergunta fatal: "e será que não tem como dar um jeito nisso?". Daí, depois de criadas todas as dificuldades, surge, todo-poderoso, o vendedor de facilidades. Que pode ser o próprio servidor público, ou um vereador, ou um amigo, ou um "desinteressado" que ia passando por ali.

Há quem diga que, em Florianópolis, em muitas situações, não tem como se manter vivo sem morrer com algum, sem "contornar" as dificuldades que, de outro modo, pela via legal, são intransponíveis ou podem levar anos para que sejam transpostas.

O próprio dono do Costão do Santinho, Fernando Marcondes de Matos, na entrevista coletiva que deu ontem, admitia, candidamente, que precisava ter um bom relacionamento com os órgãos municipais para que as coisas andassem mais rápido. E disse, com todas as letras, que ninguém pode agüentar o prejuízo de ficar com um projeto parado, esperando alguma autorização, por vários anos.

E o prefeito, ao que parece, não está preocupado em fazer uma limpeza na casa. Só quer deixar claro que não teve nada a ver com isso, que a culpa de tudo é da Ângela.


O "CLIPPING" DO JUJU

Um "clipping" é uma coleção de recortes, com notícias que saíram em jornais ou revistas, sobre determinado assunto ou personagem. Assessores de imprensa fazem "clipping" para acompanhar o que se publica sobre seus clientes e assim poderem aconselhá-lo sobre como proceder com a imprensa. Pois o arquiteto Alfred Biermann se dedica a fazer, desde março de 2006, um clipping com notícias sobre o vereador Juarez Silveira. A impressionante coleção de notas e recortes (nem todas favoráveis, é claro) está disponível na Internet, no endereço http://vereadorjuju.blogspot.com , é só clicar para ver.

As primeiras notas, (acessíveis no arquivo, coluna da direita, março de 2006), recuperam o começo da história do Juarez e das mexidas no Plano Diretor, de 1998 a 2006, sempre com o amigo Içuriti a tiracolo. O problema é que, como a memória do povo é fraca e a turma é distraída, sai uma notícia hoje, outra depois de amanhã e quando sai a terceira, dali a um mês, todo mundo já esqueceu. Nos blogs do Alfred a coisa ta reunida e dá pra ler na seqüência, juntando lé com lé e cré com cré. O resultado é impressionante: "os fatos falam por si mesmo".

O Alfred é um estudioso das maracutaias da construção civil de Florianópolis e já lançou livros falando desse problema crônico. Um deles sintomaticamente intitulado "A indústria da corrupção civil".


CORRUPCIONÁRIO

Pois além do endereço específico do Vereador Juju, o mesmo Alfred criou, em fevereiro de 2006, dois outros blogs, onde, didaticamente, oferece uma espécie de dicionário da corrupção municipal florianopolitana, contando a história desde o seu começo. E usa a mesma metodologia: só apresenta coisas publicadas. A novidade é que tem trechos de outro livro do Alfred, com relatos detalhados, com fotos, de violações das posturas municipais. Os endereços dos Corrupcionários são http://corrupcionario.blogspot.com e http://corrupcionario-2.blogspot.com. A visita é obrigatória para todos que queiram entender o que está acontecendo com a capital.

Onde hotéis de luxo, como o SOFITEL, têm construção autorizada sem que tenham vagas para estacionamento dos hóspedes que chegam, para isso, "privatizou-se" um pedaço da avenida Beira Mar Norte.

E tantos e tantos outros casos, relatados com a precisão de um arquiteto que conhece a legislação e as posturas. A conexão entre a informação técnica e as notas de colunas sociais e de noticiário político, contextualiza o problema de forma surpreendente.

Em 28 de agosto de 2006, no Corrupcionário 2, Alfred fez algumas daquelas perguntas que não querem calar:

a) Por que jamais foi deflagrada uma investigação acerca da corrupção evidente nas análises de projetos, expedição de alvarás de construção, fiscalização das obras e concessão de habite-se por parte da SUSP?

b) Por que jamais ocorreu uma investigação junto ao corpo técnico do IPUF, responsável pela elaboração das leis que definem a ocupação do solo no município de Florianópolis, visto que os técnicos do Instituto necessariamente tem conhecimento dos atos praticados pela SUSP?

c) Por que os membros do Ministério Público, das três instâncias, jamais instauraram uma investigação acerca da corrupção em relação à aplicação do Código de Obras e Plano Diretor, visto que ela tem sido freqüentemente abordada pela imprensa e mídia eletrônica?

d) Quem são as pessoas, empresas ou autoridades que protegem técnicos envolvidos em atos de corrupção repetidamente denunciados?

e) Como pode a população de Florianópolis esperar melhorias de qualquer natureza em relação ao uso do solo do município quando, ano após ano, os funcionários responsáveis pelos delitos urbanísticos permanecem irremovíveis em seus cargos?

domingo, 27 de maio de 2007

A omissão não pode continuar

Geral - A Notícia - domingo 27/05/2007

Operação moeda verde

"A omissão não pode continuar"

DIOGO VARGAS

O Ministério Público Federal confirmou a existência de mais envolvidos no esquema de comercialização de licenças ambientais em Florianópolis, desarticulado no início do mês pela Operação Moeda Verde, da Polícia Federal. Extra-oficialmente, especula-se que poderia chegar a pelo menos 40 o número de envolvidos. Os procuradores da República Walmor Alves Moreira (foto) e Cláudio Fontella, responsáveis por avaliar as investigações da PF, evitam falar em números e nomes. Eles estão à frente do órgão que vai decidir se denuncia os envolvidos à Justiça ou se arquiva o inquérito. Moreira defende uma varredura na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma), principalmente nas licenças concedidas durante a gestão do ex-diretor em Florianópolis, André Luiz Dadam, um dos suspeitos na Moeda Verde. Abaixo, os principais trechos da conversa do procurador com jornalistas da RBS.

....................................................

Walmor Alves Moreira | Procurador da República

A Notícia - O senhor comentou recentemente que chegaria a, no mínimo, 40 o número de pessoas suspeitas pela Moeda Verde.
Walmor Alves Moreira – Na verdade, há pessoas que estão na investigação e que não foram presas. Nem por isso elas deixarão de ser investigadas. Estamos falando de estruturas administrativas, na Susp (Secretaria de Urbanismo e Serviços Públicos de Florianópolis), na Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e na Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente). E na Fatma foi muito pouco falado até agora. As principais licenças sob suspeição foram dadas pelo seu André Luiz Dadam. Eu não sei quanto tempo ele ficou no cargo (diretor em Florianópolis), mas uns três anos com certeza. Estamos recebendo pedidos no TRF da 4ª Região porque há julgamentos que estão sendo suspensos, aguardando informações da Moeda Verde. Nada mais razoável do que a Fatma fazer uma varredura suspendendo as licenças que ele expediu, montando uma comissão técnica para reavaliá-las. Eu não vejo a Fatma fazer e não sei por quê.

AN – Poderia citar algum caso específico de suspeita de licença da Fatma?
Walmor – Todos esses empreendimentos que foram noticiados. A suspeita é de documento público. Se a licença ambiental diz que determinada área não é área de preservação permanente – e há pareceres técnicos dizendo o contrário –, o que o órgão tem de fazer? Tem que anular porque a administração tem esse poder.

AN – Lugares comerciais sob suspeita correm o risco de ser embargados?
Walmor – É complicado particularizar. Conceitualmente, se uma licença tem um vício e esse vício pode gerar nulidade absoluta da licença, o órgão que expediu a licença tem de rever o ato. Se puder expedir outra licença faz bem. Se não puder, se resolve com demolições, embargos, indenizações. O que não pode continuar havendo é a omissão da Fatma.

(O presidente da Fatma, Carlos Leomar Kreuz, foi procurado no final da tarde de sexta-feira para comentar as declarações, mas não foi encontrado. No gabinete, a informação é que ele estava em viagem a Porto União.)

AN – Num dos despachos, o juiz Zenildo Bodnar cita possível tráfico de influência no setor hoteleiro, que seria alvo de investigação futura e que envolveria até o alto escalão do executivo municipal.
Walmor – O envolvimento de alto escalão do executivo, tanto municipal quanto estadual, a competência para apurar seria do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

AN – Há intenção do MPF em mandar essas informações para os foros privilegiados (TRF e STJ)?
Walmor – Se um inquérito indicar a possível prática de crime por uma autoridade que tem foro privilegiado é obrigação nossa mandar. Mas o inquérito não veio ainda (está na PF). A investigação está na fase de perícias e rescaldos do que foi apreendido.

AN – Já apareceu algo concreto para se denunciar algum dos envolvidos?
Walmor – Antes da Moeda Verde nós já tínhamos elementos suficientes para afirmar que alguns crimes ambientais foram cometidos. O esquema já existia, e não dessa administração. Ele só foi desvendado agora. O senhor Dadam já é processado criminalmente em Florianópolis e Itajaí por crime ambiental. Ou seja, conceder licença em desacordo com a lei para atender sentimento ou interesse pessoal. Já é um processado pela Justiça e enquanto processado ele era servidor da Fatma. É um grau de certeza da impunidade. E hoje eles estão vendo que aquela convicção deles caiu por terra.

AN – Qual a punição aos empresários que participaram do esquema investigado pela Moeda Verde?
Walmor – Quem está do outro lado do poder público, as condutas deles são de quem corrompe, de quem solicita ajuda. São crimes graves porque você está desvirtuando a conduta do servidor público, dando a ele uma vantagem que não deveria receber.

AN – Como está a situação do processo hoje?
Walmor – Têm entrado pedidos de restituição de bens apreendidos. É um material volumoso apreendido em empresas, residências, órgãos públicos. Algumas coisas a lei processual diz que podem ser devolvidas, desde que não interessem mais ao inquérito.

AN – Qual sua avaliação sobre as reclamações de que houve exageros?
Moreira – Nunca se prendeu pessoas tão importantes. Acho que essa análise de que houve pirotecnia é medo de políticos que têm relação promíscua com o poder econômico.



http://www.an.com.br/2007/mai/27/0ger.jsp

Poder e promiscuidade da virente moeda

Diário Catarinense - 26/05/2007 - Coluna de Fábio Brüggemann

Circula na Internet uma narrativa bem-humorada do estudante de engenharia ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina, João Wendel, sobre uma palestra proferida pelo governador Luiz Henrique da Silveira na Fiesc, logo após a Operação Moeda Verde. Apenas a ida do chefe do governo ao encontro dos "concretadores" da Ilha de Nossa Senhora dos Aterros já é uma demonstração mais do que cabal (sem contar o jantar de desagravo onde o governador brindou com um dos presos suspeitos da operação, o senhor Fernando Marcondes de Matos) de qual lado ele se encontra. E para os que pensam um pouco mais, o fato em si mostra que não é ao lado da preservação da natureza que o chefe do governo está.

Até aí tudo bem. Em estados democráticos, os governos têm todo o direito de dizer o que pensam, mas também têm o mesmo direito de ouvir a sociedade toda que o elegeu. Chamado para "palestrar" aos "concretadores" da cidade, foi celerado. Porém, desde que assumiu o poder, chamado a conversar inúmeras vezes com os produtores de cultura, jamais compareceu, certamente porque sabe que ouvirá o que não quer. Isso denota a falta de visão de um governante, porque não foi eleito apenas para ouvir aqueles que financiam a sua campanha, mas também para escutar uma classe completamente desprezada em seu governo, que são os que, de alguma forma, questionam, pensam, refletem, fazem teatro, escrevem, pintam, criam imagens ou dançam, como o Cena Onze, por exemplo, que lotou o Sesc Pinheiros em São Paulo no final de semana passada durante as três noites que se apresentou. Essa gente que o governador se recusa a receber quer apenas propor uma política pública para a cultura que seja pautada nos interesses do estado e não nos de seu governo.

O estudante da UFSC relata ainda que durante a tal "palestra", denominada "Pensando a cidade", o material de trabalho, além das duas folhas em branco e uma caneta (o material mais útil, segundo Wendel) havia propaganda de empresas que vendem elevadores, pregos, parafusos, aço e cimento. Não seria melhor, questiona um amigo, diante disso, mudar o nome da palestra para "Concretando a cidade?"

Com duas horas de atraso, continua Wendel, "(isso que é respeito pelo povo!) chega a 'noiva', seguida de uma tripa de puxa-saco. Sem brincadeira, eram uns 20 seguindo ele auditório abaixo, parecia que estavam segurando a grinalda da criança". A mesa, continua o estudante, era formada por quase a lista completa dos presos pela Polícia Federal. Não que eles sejam "culpados" por alguma irregularidade, imaginem, até porque enquanto o processo não chega ao final, são apenas "suspeitos". Mas o que intriga é essa promiscuidade dos construtores com alguém que, eleito para defender os interesses de todos os cidadãos, se preocupa em afirmar que a operação virente moeda foi "pirotécnica". Deveria, reza o bom senso, manter-se no mínimo isento até a conclusão final do processo, para aí então se manifestar.

Por fim, o relato de Wendel diz: "20h50min - Aparecem palmas quando o cara [o presidente do Sindicato dos Construtores] se empolga metendo pau na Polícia Federal. Pela contagem das palmas, concluí que 2/3 da platéia era formada de puxa-sacos e empresários. O outro 1/3 da platéia que não bateu palmas era formado por estudantes, professores e outras pessoas com cérebro". Este um terço de "cerebrados" ainda é pouco para pensar a cidade, antes que ela se transforme de vez numa enorme selva de pedra cercada de aterros por todos os lados.

sábado, 26 de maio de 2007

A "Cagada" com o Shopping Florianópolis


É meio antigo, mas eu tinha que postar.

Oreste Mello, do Programa "Tô de Olho em Ti", que vai ao ar na TV São José. Para ele, o embargo do Shopping Florianópolis (passado) é o motivo de se haver tantos traficantes espalhados pela cidade, pois iria acabar com dois mil empregos. Além disso, para o cômico apresentador fundo de quintal e seu programa rampeiro, Ana Lúcia Hartmann (Procuradora da República) deveria ser considerada persona non grata, afinal nem de Florianópolis ela é... pra que meter o bedelho?

Diz que em Floripa não se pode fazer NADA por causa dos atravancos ambientais... defende o Costão Golf, diz que "herbicida não pode infiltrar no lençol freático, mas o cocô das favelas pode, né!?". Pelo jeito nosso governador é telespectador assíduo desse programa... A princípio pensei que esta fosse uma "cópia" da entrevista de LHS, mas após verificar a data de postagem (novembro de 2006), concluí que nem no quesito "falar merda" nosso Luizinho sabe ser original.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Marbella

E-mail recebido sobre o vídeo da entrevista na TVBV:

Assistindo ao video da entrevista, quero comentar sobre "MARBELLA", cidade andaluza da Espanha a que ele se refere várias vezes. É um povoado que cresceu enormemente com a abertura de investimentos, porém ele esquece de comentar que o Ex-Alcalde (Ex-Prefeito) Julian Muñoz (e mais gente da sua administração) está preso justamente por negociar autorizações fraudulentas para a edificação de empreendimentos irregulares, ou seja, o nosso Governador apóia um modelo que comprovadamente nao dá certo, porém como se fosse ideal.

Grande abraço,
Felipe Liberal

Involução



Se tiver estômago, clique sobre a figura para ampliar.

Direitos autorais

Já que vários perguntaram, esclareço que a frase "O mundo é uma grande festa, e o gelo está acabando" é de autoria do publicitário Nizan Guanaes, grande cara.

Aproveito o assunto pra esclarecer que todos os textos aqui publicados podem ser reproduzidos em qualquer lugar. Só peço que citem a fonte, pra essa bagaça ficar cada vez mais conhecida e as notícias aqui veiculadas chegarem até o último manezinho do ponto mais isolado de Naufragados.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Palestra com LHS: "Pensando a Cidade"



Foi organizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis (SINDUSCON) um evento entitulado "Pensando a Cidade", dia 15 de maio no auditório da FIESC. A grande atração do encontro seria a presença do "palestrante" Luiz Henrique da Silveira, nosso excelentíssimo governador.

O objetivo inicial do evento era reunir, em diversos encontros mensais ao longo do ano, poder público, profissionais e especialistas para discutir o que a cidade precisa para aliar desenvolvimento, geração de emprego e preservação ambiental.

Quem dera fosse isso, porque na prática foi nada mais do que uma reunião regabofe (óbvio que tinha coquetel) com a corja mais PODRE da cidade, reunindo desde um exército de puxa-saco do governador até os empresários mais corruptos, fraudulentos e bandidos da cidade. A mesa, pra se ter uma idéia, era composta por vários "detentos" da Operação Moeda Verde. O auditório fedia a xilindró. Não houve nenhum tipo de conversa ou discussão pública: a platéia não pôde fazer perguntas. As duas únicas pessoas que falaram (o presidente da SINDUSCON e o LHS) se limitaram a defender os empreendimentos embargados na ilha e achincalhar a Polícia Federal, o IBAMA e o CONAMA. E essa foi a discussão para "aliar desenvolvimento, geração de emprego e preservação ambiental"... Extremamente revoltante.

Leia abaixo o relatório completo de como foi o esquema.


PENSANDO A CIDADE - Com o "palestrante" Luiz Henrique da Silveira (FIESC - 15/05/2007)


Horário de início oficial do evento: 18:30

18:45 - Chego na FIESC. Entro no hall e para minha surpresa tá rolando um coquetel... Será que eu errei o horário e a palestra já acabou?? Nãooo, enquanto eu tomava um café me explicam que o Governador tá voltando de uma "missão em Brasília" (esse é o código pro red ou pro black label?) e vai atrasar um pouco, por isso liberaram a ração pra porcada não berrar.

19:00 - Contagem: tem uns 5 alunos da UFSC + 1 professora.

19:15 - Fui na recepção pegar meu "material". Só tinha propaganda, a única coisa útil eram 2 folhas em branco e uma caneta. Foi aí que reparei: o evento é patrocinado por Elevadores ThyssenKrupp, Gerdau e Grupo Votoran.... Cimento, aço e elevadores... OOH, O QUE SERÁ QUE ELES PRETENDEM FAZER COM FLORIPA??

19:16 - Um amigo meu tem a sensacional idéia de mudar o nome do evento para "Concretando a Cidade".

19:20 - Pessoal começa a entrar no auditório. Música de motel rolando.

20:15 - Com quase 2h de atraso (isso que é respeito pelo povo!) chega a noiva, seguida de uma tripa de puxa-saco. Sem brincadeira, eram uns 20 seguindo ele auditório abaixo, parecia que tavam segurando a grinalda da criança.

20:30 - A mulher do Bom Dia SC é a mestre de cerimônias. Discursinho de boas vindas, hino nacional, blablabla, e chega a hora de chamar os componentes da mesa (umas 15 pessoas). Sem brincadeira, aquilo era a listagem da Polícia Federal: Marcondes (Costão), Péricles de Freitas (Presidente Habitasul; 3 envolvidos), entre mais uma corja realmente DO MAL.

20:45 - O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis faz uma abertura da palestra, onde mete pau na operação Moeda Verde e trata a corja da mesa como heróis injustiçados. Passam então um vídeo produzido pelo Sindicato, que parece muito ter sido produzido com base na entrevista do LHS na TVBV. Um total absurdo, uma falta de bom senso.

20:50 - Aparecem palmas quando o cara se empolga metendo pau na Polícia Federal. Pela contagem das palmas, concluí que 2/3 da platéia era formada de puxa-sacos e empresários. O outro 1/3 da platéia que não bateu palmas era formado por estudantes, professores e outras pessoas com cérebro.

21:00 - A apresentadora bonitinha informa que devido ao fato do tempo ser curto e o governador ter outros compromissos depois da palestra (22h - Martini ; 23h - Conhaque) a platéia não poderia FORMULAR PERGUNTAS(!). Ouve-se um murmúrio das pessoas com cérebro, e um com o cérebro um pouco maior berra: "Eu já sabia! Conta alguma novidade!!"

21:02 - Chega a hora da excelentíssima mórsa falar. Não vou detalhar muito porque ele praticamente repetiu o que disse na entrevista (com algumas besteiras inéditas).

21:05 - Pauladas na PF. Citações de Marx, de filósofos gregos e o escambau pra defender os indiciados. Discurso emocionado e indignado. Dois terços de palmas. Mete pau nas favelas e diz que onde não se constrói empreendimentos tudo acaba virando favela e esgoto a céu aberto. Palmas.

21:20 - Começa com um histórico besta sobre economia. Enrolação pra dar uma de cult. Logo se cansa do papinho e volta a atacar. Dessa vez é o CONAMA quem vai pro saco. "Meia dúzia de técnicos que pensam que mandam no mundo", berra cuspindo. Um terço da platéia indignada, boquiaberta. Dois terços clap clap clap.

21:40 - Papinho dos hotéis. Fala do hotel "internacional" que acabou indo pra Tailândia porque aqui não rolou. Dá exemplos pitorescos das mil e uma edificações que ele viu em suas viagens, atingindo o clímax dando o exemplo de um hotel em que o hóspede desce de elevador (ThyssenKrupp?), pega uma ESTEIRA ROLANTE por cima da AREIA e é "depositado" confortavelmente na sua marina. Dois terços aplaudindo, um terço se beliscando pra confirmar que não era um pesadelo.

21:50 - LHS dá a informação de que ele está negociando a vinda de uma grande montadora de automóveis pra cá (olha a idéia), mas o motivo de estarmos perdendo a concorrência pra um Estado vizinho é de que aqui não há nenhuma escola americana pros filhos dos frufrus crescerem falando inglês, e que acima disso a principal exigência dos gringos é que eles PRECISAM de um campo de golfe, senão não rola!!! PUTA MERDA!! Momento de maior tumulto na platéia, risadas histéricas e uns berros indignados. Pensei na sugestão deles jogarem críquete na joaquina. Ou ainda peteca, frescobol. Só faltou o LHS se abaixar, levantar a toalha da mesa, baixar as calças do Mr. Costão do Santinho e lamber suas bolas. Mas isso não aconteceu, pelo menos durante a palestra.

22:00 - Mais algumas besteiras intercaladas com palmas e beliscões e ele parte pro final. Discurso inflamado e emocionado, papinho sobre crescimento e desenvolvimento blablabla e o 'muito obrigado' final. Palmas enfurecidas.

22:01 - Uma mulher levanta a voz pra falar com LHS e começa a dizer que quando a convidaram pra participar da palestra o tema não uma cerimônia de louvor à essa putada que tenta destruir nossa ilha, e muito menos um ritual de achincalhamento à Polícia Federal, ao Ministério Público, aos Vereadores de Floripa e ao CONAMA. A horda de puxa-sacos começa a vaiar e não deixa a mulher continuar a falar. Os com cérebro começam a aplaudir a mulher. Confusão do demonho, pessoal começa a se levantar pra sair e tudo acaba com um semi-bafafá. Luiz Henrique deixa o local um pouco transtornado. FIM!


É isso pessoal, parece que mês que vem tem mais, esse evento é pra ser mensal. Gostaria que essa parcela de 1/3 aumentasse... é a cidade de vocês em jogo.

Abraços.

domingo, 13 de maio de 2007

Entrevista: Luiz Henrique na TVBV

Entrevista com Luiz Henrique da Silveira (Governador de SC) na TVBV, que foi ao ar no dia 03/04/2007.

Este trecho de vídeo é um recorte somente da parte em que se fala sobre o meio ambiente em Florianópolis e a "burrocracia" das leis ambientais. São quase 17 minutos da mais pura sem-vergonhice, onde o governador conseguiu mais uma vez afirmar sua incapacidade de ser uma pessoa coerente e com um mínimo de bom senso na área ambiental. Dispensa maiores comentários, assista ao vídeo e tire suas conclusões.

Clique aqui caso queira fazer o download do arquivo em alta resolução (260MB) e mostrar daqui a alguns anos para seus netos se divertirem.



* Observações sobre o vídeo:

1. O apresentador da esquerda é camarada, note como ele tenta ao longo do vídeo ser elegante e disfarçar sua indignação. Gente fina, mas não descobri o nome dele. Se alguém souber, comenta aí.

2. O apresentador da direita chama-se Vânio Bossle. Véio safado. Repare como ele fica meio puto com o repórter da esquerda, e ao mesmo tempo concorda com qualquer merda que LHS cospe. Não é pra menos: veja abaixo um trecho da coluna do Cacau Menezes, publicada dia 16 de março...

"Tá lá - Jornalista Vânio Bossle, da TVBV, está na Europa acompanhando o governador Luiz Henrique da Silveira. Segundo o filho Gustavo, é a primeira viagem internacional do pai, que deve voltar mais calmo. E mais tolerante com os políticos, para quem, quase que diariamente, no programa de tevê, costuma pedir cadeia e pena de morte."

Ham, agora tudo se encaixa!


3. "Quem sabe cuidar de Florianópolis é o florianopolitano, é a prefeitura, o vereador..."
Claro. A Operação Moeda Verde comprovou exatamente isso.

4. "Podia ter um hotel 6 estrelas... aquilo ali é um LOGAL privilegiado" (8'22'')
Dá-lhe uísque.

5. E pra finalizar, o apresentador sacana, no último segundo do vídeo (aumentem o som e ouçam com atenção): "É, aqui não pode porque 'mata o caranguejo' né! hihihi!".


Vou fazer uma edição e montar o Funk do LHS.
É rir pra não chorar. Floripa, eu amo esse logal.

sábado, 12 de maio de 2007

Boas vindas

O "Moeda Verde" é um blog que tem como objetivo informar a população de Florianópolis sobre as questões ambientais da cidade, incentivando a participação popular na luta por um meio ambiente preservado na Ilha.

O nome é inspirado na operação da Polícia Federal realizada no início de maio de 2007, em Floripa. A Operação consistiu na prisão temporária de 19 empresários e políticos da "alta sociedade" catarinense, envolvidos em esquemas de negociação de licenças ambientais.